terça-feira, 29 de junho de 2010

Desdobrar a marca sem perder identidade

Ultimamente temos visto um aumento significativo da exposição das marcas, seja as grandes redes de varejo aplicando a marca em produtos próprios, ou em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo. Dentro do canal de marketing esse conceito também é valido e muito importante.
A marca é a representação gráfica de um símbolo que representa uma empresa, órgão, evento. Ou seja, algo que permite a identificação de um modo imediato como, por exemplo, um sinal de presença. No Livro Design de Identidade da Marca, Alina Wheeler explora muito bem essa questão quando define que "marca é a promessa, a grande idéia e as expectativas que residem na mente de cada consumidor a respeito de um produto, de um serviço ou de uma empresa. As pessoas se apaixonam pelas marcas, confiam nelas, são fiéis a elas, compram e acreditam na sua superioridade". Por meio dela a empresa repassa seus valores e ideais para os colaboradores e clientes.



Quando tratamos de marcas para programas de canais, devemos levar em conta sempre as questões relacionadas à marca mãe, a marca que está proporcionando este ambiente. Não podemos jamais descartar isso, visto que essa marca é um apoio e tem a função de representar conceitos, sentimentos e valores. Desta forma, é interessante atribuir à marca de programas os mesmos conceitos e atributos da marca principal, aliados aos conceitos básicos de um programa que tem como objetivo oferecer vantagens e benefícios para seus usuários.



Dessa forma é interessante criar marcas com "pegadas" que despertem sentimentos como confiança, determinação, fidelidade, vantagem, entre outros. Elas precisam falar por si mesmas para serem rapidamente identificadas. Por isso, é importante visualizar os principais pontos de contato que essa marca vai ter com seus colaboradores e definir um plano de comunicação coerente. A comunicação é um dos momentos mais importantes dentro de um programa de canais, pois possibilita uma melhoria no relacionamento entre os parceiros e serve como um termômetro para verificar a eficácia das ações.
Mas também sabemos que apenas criar uma "boa" marca não é o suficiente. Essa questão é apenas uma etapa dentro do branding e cada processo deve ser tratado com relevância. Com uma marca forte e bem resolvida as chances do programa de canais ter sucesso aumentam e com isso as chances de grandes negócios também.
Eduardo Przybylski é designer de informação da dBrain. (eduardo@dbrain.com.br)


Fonte: Clientes SA
http://www.clientesa.com.br/artigos/default.asp?pag=matintegra&matID=39730

Para entender Relações Públicas e a Comunicação Organizacional

Partindo do pressuposto de que a área de Relações Públicas representa o ponto-de-vista da comunicação institucional, sua interação com demais subáreas da comunicação integrada – quais sejam a comunicação mercadológica, a comunicação interna e a comunicação administrativa – é fundamental. A perspectiva de análise, planejamento, estratégia, ação e avaliação de Relações Públicas considera o viés do impacto da interação com públicos de interesse na eficácia organizacional, ou seja no estabelecimento de relacionamentos fortes, duradouros e produtivos, levando todos os agentes a serem e a sentirem-se protagonistas das decisões e de sua operacionalização, obtendo, com isto, um engajamento maior e uma respeitabilidade pública mais ampla e consistente.

Neste sentido, quaisquer outros esforços e atitudes de comunicação nas demais subáreas precisam ser permeados deste senso estratégico integrado, que aconselha, interage e monitora as ações e reações de uma opinião pública cada vez mais crítica e participativa, e que integra diferentes agrupamentos sociais em diversos momentos de contato, como funcionários, fornecedores, órgãos governamentais, imprensa, investidores, comunidade, clientes diretos e outros. Em tempos de intensa migração de ambientes e relações para os meios virtuais, quando a comunicação e interfaces partem de múltiplos atores, que produzem e distribuem digitalmente conteúdos e se posicionam de maneira propositiva, cientes de seus direitos e do alcance de sua voz, é mister a consciência e o zelo sobre conceitos emitidos e sua compreensão pelos interlocutores nesta nova dinâmica, daí que atitudes isoladas de outras subáreas da comunicação podem vir a afetar grandemente a credibilidade, a percepção pública e a eficácia da organização. Neste ínterim, os preceitos da área de Relações Públicas e da Comunicação Institucional, lastreados na proposta de transparência e no estímulo a conversações cruzadas, numa retroalimentação contínua de informação e conhecimento, devem estar também na base dos projetos e instrumentos implementados por setores como Marketing e Recursos Humanos.

A área de Relações Públicas serve como modelo também no ponto-de-vista do embasamento em planos estratégicos, que conferem potencialidade às ações por conta do caráter sistêmico e transversal. Assim, dispersões são minimizadas, tempo e dinheiro investidos são otimizados e os resultados pretendidos tendem ao atingimento, porque RP busca evitar uma dissonância de significações, por meio da adequação de linguagens e canais a cada grupo de pessoas visado, tendo como pilar a missão, a visão e os valores da organização, sua identidade e sua promessa de produtos e benefícios. Isto se vê aplicado desde a redação e entrega de documentações oficiais administrativas, até a organização de eventos de integração funcional, passando por uma assessoria a veículos de comunicação como complemento de lançamento de produto, bem como na gestão de crises que envolvem todos os públicos com alguma intensidade e efeito. Sempre a área de RP articula um alinhamento de posturas e ações na organização para que ela seja percebida com unicidade, de maneira concatenada, legível e coerente, alcançando a legitimação.

É relevante ainda a contribuição de RP no que tange à análise de cenários e elaboração de diagnósticos, calçados em intensa capacidade de observação e de aplicação de técnicas investigativas que delineiem tendências e práticas dos públicos de interesse. De posse deste tipo de insumo, são muito melhor determinadas as estratégias e táticas comunicativas em quaisquer esferas, notadamente se cruzadas as informações gerando panoramas e perfis que permitam estimar movimentos futuros e embasar necessidades de correção de rumo em prazo curto.

Basicamente, os mecanismos de atuação e influência da área de RP nas demais subáreas da comunicação integrada despertam e viabilizam o diálogo, o respeito às opiniões correntes e diferentes e a ação colaborativa como forma de disseminar informação, gerar conhecimento, incentivar ou mudar comportamentos e alcançar um resultado final satisfatório para todos os envolvidos. Ao dar voz a interlocutores, minimizando as diferenças de poder e buscando afinar os objetivos e a forma de alcançá-los, está-se exatamente abrindo canais mais propícios à implementação de formatos de comunicação e relacionamento independente da origem dentro da organização.

COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - Comunicação Organizacional Integrada é um conceito estratégico de gerenciamento de todos os esforços de informação, conhecimento e relacionamento de uma dada organização, junto aos seus múltiplos e complexos “stakeholders”, entendendo e exercendo a articulação sistêmica da comunicação institucional, da comunicação mercadológica, da comunicação administrativa e da comunicação interna como elos de um mesmo discurso, para o que se requer uma consciência transversal sobre o impacto de cada abordagem e contato sobre a reputação, a aceitação e a longevidade.

Partindo desta conceituação, é evidente a importância das organizações adotarem uma filosofia nesta direção. Em cenários de competição acirrada e mundial, dado o estreitamento de fronteiras a partir da globalização econômica e de novos patamares de sociabilização, com um alto grau de desenvolvimento das telecomunicações e da informática, a realidade organizacional de recursos e tempo escassos e de requisitação de resultados abundantes não dá espaço para improvisações e dispersão. Mais que isto, as organizações precisam compreender sua missão para bem além do tripé emprego-imposto-produção, no propósito de atingir sua consolidação e a necessária lucratividade. Na verdade, emerge e se consolida um panorama de profundas e cruzadas exigências para as organizações no campo da responsabilidade social, ou seja de sua capacidade de desenvolver uma participação comprometida com o entorno, através do suporte, direto ou intermediado, para o incremento da oferta e do aproveitamento da sociedade em questões como educação, esporte, saúde e cidadania, entre outros itens até então reservados às estruturas governamentais e civis organizadas. O agrupamento de tão diferentes agentes – os públicos de interlocução – num caminho coeso, articulado e efetivo é exatamente a função da Comunicação Organizacional Integrada, estimulando e coletando de maneira permanente indicadores, percepções, contrariedades, afinamentos na busca do êxito organizacional, com o mesmo empenho do desenvolvimento social da coletividade.
Não podendo mais haver percepção dissociada, a organização precisa internalizar e processar as novas expectativas e transferir seu foco para outro trinômio – agora contemplando os ambientes econômico, social e humano como partes complexas e integradas. Neste sentido, é importante perceber que as organizações são compostas e movidas por pessoas, em interrelações internas e externas, e portanto a base da ativação, manutenção e resgate de diálogos cooperativos constitui a própria comunicação e é a essência do próprio funcionamento organizacional.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Curso “Empreendedorismo em Comunicação” abordará novas oportunidades de negócios no mercado brasiliense

As consultorias de comunicação ganham cada vez mais espaço no mercado nacional. Segundo informações da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), são 1,4 milhão de empresas no setor, que empregam 11 mil jornalistas. O negócio já movimenta cerca de R$ 2 bilhões ao ano. No entanto, apesar do crescimento do setor, as assessorias ainda atuam de forma amadora e pouco criativa em termos de produtos e serviços para fortalecer e consolidar a imagem institucional de seus clientes, sejam pessoas físicas, iniciativas pública ou privada.

Com o objetivo de apresentar aos estudantes de jornalismo as principais ferramentas utilizadas no dia-a-dia das consultorias e novas oportunidades de negócios em comunicação no mercado brasiliense, a Media House Comunicação & Marketing está promovendo cursos rápidos, complementares a graduação, nas diversas áreas de atuação da Assessoria de Comunicação. Em maio, foi ministrado o curso específico sobre Comunicação Integrada, abordando o mercado das comunicações, produtos da consultoria (assessoria de imprensa, comunicação interna, marketing de relacionamento e eventos), e produção de plano de comunicação. Com o sucesso do curso, a Media House abriu para junho mais uma turma para aqueles alunos que não tiveram oportunidade de participar da primeira edição. Em julho, será realizado o curso de Empreendedorismo em Comunicação. Aqueles alunos que já participaram de cursos anteriores terão 15% de desconto à vista.

O curso será ministrado pela professora Flávia Rochet, graduada em Comunicação Social, e com pós-graduação em andamento em Comunicação Corporativa. Atuando no mercado brasiliense, é sócia da Media House Comunicação & Marketing, empresa de consultoria em Comunicação, focada nas áreas de Assessoria de Imprensa e Relações Públicas. Foi repórter dos jornais Tribuna do Brasil e Jornal do Brasil e consultora de Comunicação no Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Nutricional (Fome Zero) e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, pela empresa carioca FSB Comunicações. Chefiou a Assessoria de Comunicação do Ministério dos Esportes e foi assessora de Comunicação na Secretaria-Geral da Presidência da República.

O curso de Consultoria será realizado no dia 12 de junho, sábado, apenas no período da manhã. Já o curso de Empreendedorismo em Comunicação será realizado no dia 17 de julho, também pela manhã. Para garantir um trabalho ainda mais personalizado, as turmas contarão com no máximo seis alunos. As matrículas do Curso de Consultoria podem ser realizadas pelo telefone 3541-5200 ou jornalismo@mediahousecomunicacao.com.br até o dia 04 de junho e do curso de Empreendedorismo até o dia 30 de junho.

Curso Consultoria de Comunicação – Comunicação Integrada:
Turma 1 – 12/06 (sábado)/manhã – 9h às 12h

Curso Empreendedorismo em Comunicação – Novas oportunidades de negócio:
Turma 1 – 17/07 (sábado)/manhã – 9h às 12h

Local: Media House Comunicação & Marketing (Setor Terminal Norte, Lote M, Entrada B, Sala 148, Edifício Vital Brazil - próximo ao Carrefour Norte e Embrapa)
Preço: R$ 300, à vista (incluído material). Aluno de cursos anteriores da Media House terão 15% de desconto à vista.

Informações e matrículas: (61) 3541-5200 / 8165-6566 (Flávia Rochet) / 8428-0719 (Clarice Gulyas) jornalismo@mediahousecomunicacao.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Propaganda na era digital

O Brasil possui a cultura mais digital do planeta e o maior percentual de pessoas conectadas à Internet do mundo, incluindo a classe C, com uma média de 26,7 horas por mês de conexão, segundo dados da Comscore Media Matrix de setembro de 2009. Apesar disso, apenas 4,4% do budget de marketing das empresas são alocados hoje para as mídias digitais, percentual bem inferior ao de países como a Inglaterra, onde 23% dos recursos destinam-se à área digital, a China, com 13,6%, ou ainda os Estados Unidos, onde esse percentual é de 11,3%. Os dados constam da pesquisa New Digital Middle Class, que está sendo realizada pela Razorfish, agência de marketing digital. A empresa divulgou alguns números em encontro que marcou o início das operações no mercado brasileiro.

"Em quase todas as escalas, o brasileiro é o povo mais digital do planeta. Com programas como o novo Plano Nacional de Banda Larga do governo, o acesso se tornará ainda mais amplo e profundo", afirmou Joseph Crump, vice-presidente sênior de estratégia e planejamento da Razorfish, ao ressaltar a importância da classe C para essa mudança de paradigma. Um dado que comprova isso é que 33% da audiência da classe C hoje está na Internet, em comparação a 44% da televisão, segundo dados do Grupo de Mídia de 2008. Em 2010, a Classe C deverá representar 45% do total do mercado de Internet, destacando-se que 51% das compras online são de consumidores das classes C, D e E.

"É hora das empresas e marcas começarem a se libertar de sua dependência da televisão para se conectar aos consumidores", ressaltou Fernando Tassinari, gerente geral da subsidiária brasileira da Razorfish, ao citar que, em outros países, a alocação das verbas está migrando. Segundo o estudo, diversos fatores têm reforçado a posição da televisão como a mídia mais forte no Brasil. Um deles é a forte cultura da telenovela, e o outro, a prática da Bonificação por Volume (BV) dada pelas emissoras de televisão às agências, que contribui para o direcionamento dos recursos para a mídia televisiva. Nos Estados Unidos, em contrapartida, menos de 10 milhões dos lares estão conectados hoje às redes abertas de televisão, em comparação a cerca de 50 milhões na década de 70.

No Brasil, a televisão detém cerca de 55% das verbas disponibilizadas para as várias mídias (impressas, internet, rádio e out of home), enquanto nos EUA essa participação está perto de 25% e na Inglaterra, próxima de 20%. Mas a situação do mercado brasileiro está mudando, impulsionada pela emergência da classe C, que em 2008 já representava 44% da população, segundo estudo da Nielsen, e hoje já soma 80 milhões de pessoas responsáveis por 46% do consumo no País. Joe Crump citou dados da pesquisa realizada pela McCann Erickson e o Instituto DataPopular, segundo a qual 58% da classe C possui computador e 80% dessa parcela dizem que não podem viver sem o seu micro.

"A classe C não está sendo bem compreendida no Brasil. Quando falamos com as empresas, elas afirmam que a classe C não está usando mídia digital, o que não é verdade", observou Fernando Tassinari. Segundo ele, o mercado está em evolução e as empresas terão que utilizar o digital para mudar o seu negócio, responder aos desafios com mudança de estratégia, criação de marcas on-line, oferecer opções para os clientes estarem conectados de forma diferente, mudar as tecnologias e as estruturas internas para fazer o negócio diferente e alavancar o canal digital, sempre com mensuração e avaliação das ações. "É isso que a Razorfish vem fazer no Brasil, queremos construir algo novo", destacou José Martinez, diretor da Razorfish para a América Latina.

Fonte: Cliente SA
http://www.clientesa.com.br/estatisticas/default.asp?pag=matintegra&matID=39461

O esporte da comunicação e a atração do mundo

A boa comunicação foi decisiva para a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Daqui até lá pode parecer muito tempo, mas, acredite, não é. Afinal, vencida a primeira etapa em que soubemos aproveitar as condições históricas, políticas, econômicas e psicológicas para destacar, convencer e vender o país como o lugar, surge o desafio de cumprir o combinado, no que tange a ter disponíveis infraestrutura, transporte, segurança, serviços, nos prazos e com toda a logística em funcionamento. Um desafio monumental e um compromisso assumido com o mundo, diretamente vinculado à nossa reputação.

Talvez o que ainda não esteja claro é que ambos os eventos começaram, na verdade, no dia do anúncio do Brasil como sede, e deveriam unir todos os brasileiros, independentemente de eventuais diferenças, para podermos ganhar esse jogo. Antes de os atletas desembarcarem aqui é preciso vender o Brasil como destino turístico para milhares de estrangeiros no mundo todo, gente que gosta de esporte, de viajar, de conforto, diversão, bem-estar.

É preciso valorizar e aprimorar ainda mais a nossa capacidade de receber e acolher gente do mundo todo, de oferecer produtos, serviços de qualidade, de expressar com encantamento nossos atributos culturais. É preciso trabalhar já a imagem do Brasil no exterior e preparar os brasileiros para isso. Devemos procurar corrigir a imagem distorcida de país atrasado, do turismo sexual, do trabalho infantil, da violência urbana. Os jogos deverão impulsionar os negócios das empresas brasileiras e os empregos para brasileiros. É preciso preparar-se internamente.

As cidades que sediarão a Copa em 2014 devem enfrentar desde já suas questões sociais, urbanísticas, ambientais e políticas. Será necessário transformar o espaço público, criar condições para a circulação segura dos visitantes, estrangeiros ou brasileiros. É urgente a revitalização e restauro do patrimônio histórico das cidades, o acesso e a infraestrutura de parques naturais, a modernização e construção de aeroportos, portos e estradas, hotéis etc., além de medidas educacionais, políticas e econômicas, as cidades deverão passar por grandes mudanças no paisagismo e na programação visual, a ser feita em mais de uma língua.

Podemos aprender com a Copa na África do Sul. "No exterior a venda de ingressos não vai bem, 300 mil reservas de hotel para o Mundial foram canceladas" informou o jornal Bom dia Brasil, da TV Globo, em 15/4/2010. "E como havia 500 mil ingressos encalhados, um fracasso de venda pela internet, a FIFA, preocupada, começou a vender entradas a preços menores para os sul-africanos, em lojas e agências bancárias espalhadas pelo país. Mudou a situação: será uma copa popular, com poucos turistas e muitos africanos".

Ou seja, para fazer dos nossos dois grandes eventos esportivos uma fonte de receita importante, um atrativo turístico internacional, que coloque o Brasil definitivamente no circuito não-exótico, precisamos estimular o desejo daqueles que podem nos visitar durante os jogos, vindos de todas as partes do mundo, inclusive daqui mesmo, mostrando nosso esforço e investimento como resposta ao entendimento de que cada um deles está de olho na maneira como tratamos as questões ligadas, por exemplo, à segurança, à violência urbana, o meio ambiente, às crianças, o transporte, à hospedagem.

São mesmo muitos desafios, de alta complexidade em curto espaço de tempo, com necessidade de investimento de valores imensos. Questões que vão além da comunicação, mas que passam e se apóiam nela.

Fonte: Aberje
http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=219&ID_COLUNISTA=28

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Comunicação interna também caminha para múltiplos protagonismos

A análise da Comunicação Interna das organizações a partir dos componentes da dimensão estratégica permite visualizar uma significativa lacuna entre as novas tendências comportamentais e a forma de operação das estruturas institucionais. Ao lado de um evidente e forte descentramento do pólo emissor, quando vários interagentes tornam-se protagonistas de processos de criação e difusão de conteúdos sobre temas, pessoas, interrelações - e naturalmente também sobre marcas e produtos -, perduram esquemas hierárquicos e centralizadores de repasse de informações e até de processos de relacionamento dentro das empresas.

Tenho percebido que são absolutamente raros os casos de tratamento processual da comunicação, entendido como uma abordagem em visão ampla e integrada da área, pelas organizações que tenho analisado ou presenciado palestras em eventos empresariais. Não há integração ao sistema de gestão da organização, prevalecendo uma aplicação mecanicista dos fluxos informativos, com nítida supremacia do emissor oficial sobre a audiência considerada alvo. Os comunicadores tendem a agir como tarefeiros, atendendo a demandas crescentes de diversos setores internos. Ainda que pareça existir justificativa imediata para tal situação (como a sobreposição de pedidos, os prazos sempre curtos, as equipes enxutas e os orçamentos escassos), o viés funcionalista exercido impede uma compreensão mais densa da potencialidade da comunicação no planejamento estratégico.

Aliás, no que tange à inserção da comunicação na cadeia de decisões, acaba se conformando uma situação inevitável: o posicionamento hierárquico baixo dos comunicadores não os situam em patamar de debate qualificado com outros atores na estrutura organizacional. A realidade mais freqüente é a escolha de caminhos pelos gestores, que a posteriori serão comunicados pelo setor competente, apoiados ou não nas lideranças como meio difusor. A análise de questões e de contextos com impacto para os atores sociais não é realizada, quando então se negligenciam as expectativas e demandas de informação e de interação vindas dos públicos de interesse.

Isto posto, numa rápida análise corporativa e geral, é interessante perceber que os departamentos de Comunicação dentro das organizações tendem justamente a reproduzir esta centralidade em sua perspectiva de integração, informação e relação com os funcionários. A gestão de relacionamentos, portanto, não dá ênfase a oportunidades de diálogo e os fluxos informacionais acontecem mediados por veículos internos onde a participação da equipe é reduzida, tanto na aparição como conteúdo dos meios quanto na validação das pautas. Sequer uma gestão integrada e complementar de assuntos nos diversos meios pode ser comprovada, com sobreposições de temas ou com lacunas de informação que inclusive dão origem à comunicação informal. O recurso de “redes de correspondentes” como forma de fomentar e melhorar o relacionamento com todos os setores e contemplar suas aspirações e preferências nas interlocuções intermediadas ou face-a-face é muito pouco utilizado, sendo que poderia ser um caminho de maior arejamento dos temas oficiais e democratização do que se considere importante para a equipe – assim decidido por consenso e não por “inspiração” de poucos. Portanto, fica clara a deficiência quanto à contribuição das lideranças e áreas na formulação e condução das estratégias comunicacionais, que são ainda estabelecidas em gabinetes e muitas vezes destituídas de uma essência que garanta sua atratividade e sua repercussão junto a pessoas cada vez mais críticas e propositivas.

Esta atuação utilitária da comunicação corporativa apontada no início do texto contamina a comunicação interna, com comunicadores focados na elaboração continuada de uma série de veículos e em todas as preocupações técnicas decorrentes (pauta, formato, reprodução, circulação), sem contudo se dedicarem a reflexões mais orgânicas do papel da comunicação dentro de um tripé básico: informação, formação e ação. Fica notória a desconsideração (ou o despreparo) com processos de interação presencial, em que se oportunize diálogo efetivo entre interlocutores a despeito dos cargos e portanto se gere feedback imediato. Os formalismos de contato e de conduta, presentes também neste tipo de interface, só agregam precariedade a estes momentos, perdendo-se sua força como método propulsor de integração entre pessoas e de inovação na gestão de recursos. Num processo planejado, não se pode dizer que não haja alinhamento da comunicação interna à estratégia organizacional, dados os esforços dos comunicadores em rechear seus materiais com as tais “mensagens-chave” que precisam permear todos os pontos de contato, mas o que precisa ser questionada e revisada é exatamente a estratégia organizacional como condutora de uma postura autoritária e por isto pouco sustentável.

A respeito da comunicação interna como processo monitorado, a conclusão igualmente não é positiva. Na medida em que a preocupação maior dos comunicadores reside no atendimento aos pleitos cotidianos de setores, na grande parte das vezes sequer participando de sua construção ou aconselhamento prévio, os mecanismos estruturados de avaliação e mensuração de impactos e resultados são praticamente nulos. Somente organizações de maior porte, com ênfase naquelas com presença global e que portanto trazem uma conscientização superior sobre a relevância de pesquisas permanentes com públicos de interesse, fazem a identificação e gestão de questões críticas ou estratégicas e utilizam estes insights num reposicionamento de seu trabalho gerencial e/ou comunicativo. Infelizmente não é incomum a realização de processos para identificação e avaliação de expectativas e demandas de atores sociais e o engavetamento sumário das percepções arroladas, com inequívoca inflexibilidade para replanejar ações e interrelações.

Para finalizar, é preciso mencionar que o cenário da comunicação interna nas organizações, contudo, tem mostrado indícios de alterações de enfoque. O investimento na capacitação de líderes, a identificação e incentivo a lideranças informais, a revisão da análise e julgamento da comunicação informal, o aumento na instauração de interfaces presenciais acompanhada de treinamento retórico para toda a equipe são alguns artifícios que já estão presentes, notadamente entre empresas de ambientes mais competitivos. Mais que isto, a inserção paulatina dos comunicadores no board das companhias, com possibilidade real de influenciar as opiniões internas e trazer à tona o ponto-de-vista da reputação corporativa sobre todas as decisões – que invariavelmente afetam públicos de interesse – já pode ser percebida, o que vai causar transformações positivas também na comunicação interna.

Fonte: Aberje
http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=51&ID_COLUNISTA=18

Inovar com o passado

Autor: Paulo Al-Assal

"O melhor da vida é o passado, o presente e o futuro". A frase do cineasta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini está impregnada de um pensar contemporâneo, um comportamento emergente denominado "temporalização" - tendência que é destaque no Trend Report 2010, detectada por um conselho acadêmico multidisciplinar coordenado pela Voltage. Mesmo o mais desatento percebeu que o 'retrô' tem permeado a moda, o cinema, as ruas, o design de marcas e o comportamento. As musas 'cool' do momento como Katy Perry e Zooey Deschanel, têm um certo charme retrô; o veículo mais desejado hoje é o mini Cooper; e a marca de leite condensado mais famosa do Brasil tem uma embalagem propositalmente "nostálgica". Quais são os drivers e condutores sociais que estão associados a essa tendência que ultrapassa as fronteiras estéticas?

Antes de analisar a tendência 'temporalização' propriamente dita, lembro que o comportamento humano é movido por aspirações, sentimentos, desejos, sensações, escolhas, anseios, atitudes, ideias e hábitos. Essa combinação se torna a matéria-prima para compreender e ler a complexidade do indivíduo contemporâneo. Outro ponto relevante é que comportamentos atuais e futuros estão interligados, por essa razão é que defendo a necessidade de observar, interagir e interpretar o indivíduo para levantar quais são os drivers sociais. É relevante salientar que o papel de "consumidor" é tão somente uma das facetas do ser humano. Concluído o preâmbulo necessário, devemos nos ater ao contexto socioeconômico mundial, ou seja, ao "cenário" que proporcionou o desenvolvimento da tendência.

Estamos diante de um movimento comportamental coletivo caracterizado pela busca da segurança do passado; a segurança representada pelo que nos é conhecido. O sentimento coletivo de "perda de controle", de colapso geral da sociedade e de valores estabelecidos, tem motivado essa busca pelo conhecido - que ultrapassa conceitos estéticos e comportamentais manifestados na estética vintage. A nova busca é reunir atributos do passado à tecnologia do futuro no espaço presente, um universo "atemporal" no formato e no conceito. Com um ritmo de vida acelerado, o indivíduo passou a procurar "respiros" e a utilizar a criatividade para criar conexões modernas entre o passado e o futuro. Na nova ótica sob a qual percebe o futuro, o ser humano não demonstra a pretensão de manipulá-lo ao seu bel-prazer; há a noção de que as ações têm consequências e que as atitudes do presente alteram o amanhã. Por esse prisma, a relação passado - presente - futuro ganha contornos de humanização.

No contexto histórico, as últimas décadas têm sido marcadas pelo alargamento do presente, no qual o conceito de passado e futuro cede espaço para intensificação da vivência do "agora". Esse desprendimento do tempo, porém, tem conduzido à fragilização da identidade, uma vez que "aquilo que se é" não possui razão na história e não gera perspectiva. Na sociedade contemporânea a tendência é outra e o tempo não é mais visto como um inimigo. O ontem, o hoje e o amanhã coexistem de forma pacífica e emerge a percepção de que lembrar o passado e imaginar o futuro são formas de humanizar o dia a dia, de produzir respiros e de compensar o ritmo acelerado de vida. A segurança do passado e as benesses tecnológicas do futuro se mesclam e pulsam no presente.

Há expressões-chave que expressam as manifestações práticas da 'temporalização' e que sinalizam comportamentos associados à tendência. Veja quais são:

- Resgate da consciência: retomada da existência e dos efeitos do tempo, embora não de forma linear. Trata-se de uma concepção negociada do tempo que leva à sobreposição e recuperação, no presente, de fragmentos do passado.

- Vintagismo: o vintage, associado aos estilos que marcaram época, e a estética retrô pós-moderna passam a conviver com o presente. Assim, ao mesmo tempo em que resgatam objetos, os indivíduos resgatam também um pouco de seu contexto e de sua história, dando significado particular e único a objetivos que os religam a outro tempo.

- Busca por origem: o indivíduo passa a desejar localizar, conhecer ou narrar a origem de fenômenos tradicionais ou não. Na percepção do consumidor, quando algo tem história, passa a ter razão de existir, produz mais sentido. Nesse ínterim, as pessoas aceitam celebrar a duração dos objetos e dedicam a eles atenção e respeito.

- Artesanomania: a valorização do artesanato, da simplicidade e do provinciano expressam o desejo de experimentar um outro tempo, seja um outro momento na história ou um outro ritmo, mais lento.

Captar a tendência da 'temporalização' em toda a sua amplitude e alinhar investimentos à demanda do consumidor contemporâneo é o desafio dos gestores de empresas e marcas, especialmente diante da necessidade de criar produtos e serviços inovadores. O êxito da sobrevivência da marca está proporcionalmente associado à capacidade que os gestores têm de conhecer os movimentos emergentes, as tendências propriamente ditas.

Paulo Al-Assal é fundador e diretor-geral da Voltage.


Fonte: Cliente SA
http://www.clientesa.com.br/artigos/default.asp?pag=matintegra&matID=39418