quarta-feira, 26 de maio de 2010

O esporte da comunicação e a atração do mundo

A boa comunicação foi decisiva para a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Daqui até lá pode parecer muito tempo, mas, acredite, não é. Afinal, vencida a primeira etapa em que soubemos aproveitar as condições históricas, políticas, econômicas e psicológicas para destacar, convencer e vender o país como o lugar, surge o desafio de cumprir o combinado, no que tange a ter disponíveis infraestrutura, transporte, segurança, serviços, nos prazos e com toda a logística em funcionamento. Um desafio monumental e um compromisso assumido com o mundo, diretamente vinculado à nossa reputação.

Talvez o que ainda não esteja claro é que ambos os eventos começaram, na verdade, no dia do anúncio do Brasil como sede, e deveriam unir todos os brasileiros, independentemente de eventuais diferenças, para podermos ganhar esse jogo. Antes de os atletas desembarcarem aqui é preciso vender o Brasil como destino turístico para milhares de estrangeiros no mundo todo, gente que gosta de esporte, de viajar, de conforto, diversão, bem-estar.

É preciso valorizar e aprimorar ainda mais a nossa capacidade de receber e acolher gente do mundo todo, de oferecer produtos, serviços de qualidade, de expressar com encantamento nossos atributos culturais. É preciso trabalhar já a imagem do Brasil no exterior e preparar os brasileiros para isso. Devemos procurar corrigir a imagem distorcida de país atrasado, do turismo sexual, do trabalho infantil, da violência urbana. Os jogos deverão impulsionar os negócios das empresas brasileiras e os empregos para brasileiros. É preciso preparar-se internamente.

As cidades que sediarão a Copa em 2014 devem enfrentar desde já suas questões sociais, urbanísticas, ambientais e políticas. Será necessário transformar o espaço público, criar condições para a circulação segura dos visitantes, estrangeiros ou brasileiros. É urgente a revitalização e restauro do patrimônio histórico das cidades, o acesso e a infraestrutura de parques naturais, a modernização e construção de aeroportos, portos e estradas, hotéis etc., além de medidas educacionais, políticas e econômicas, as cidades deverão passar por grandes mudanças no paisagismo e na programação visual, a ser feita em mais de uma língua.

Podemos aprender com a Copa na África do Sul. "No exterior a venda de ingressos não vai bem, 300 mil reservas de hotel para o Mundial foram canceladas" informou o jornal Bom dia Brasil, da TV Globo, em 15/4/2010. "E como havia 500 mil ingressos encalhados, um fracasso de venda pela internet, a FIFA, preocupada, começou a vender entradas a preços menores para os sul-africanos, em lojas e agências bancárias espalhadas pelo país. Mudou a situação: será uma copa popular, com poucos turistas e muitos africanos".

Ou seja, para fazer dos nossos dois grandes eventos esportivos uma fonte de receita importante, um atrativo turístico internacional, que coloque o Brasil definitivamente no circuito não-exótico, precisamos estimular o desejo daqueles que podem nos visitar durante os jogos, vindos de todas as partes do mundo, inclusive daqui mesmo, mostrando nosso esforço e investimento como resposta ao entendimento de que cada um deles está de olho na maneira como tratamos as questões ligadas, por exemplo, à segurança, à violência urbana, o meio ambiente, às crianças, o transporte, à hospedagem.

São mesmo muitos desafios, de alta complexidade em curto espaço de tempo, com necessidade de investimento de valores imensos. Questões que vão além da comunicação, mas que passam e se apóiam nela.

Fonte: Aberje
http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=219&ID_COLUNISTA=28

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